incêndio ocasionado por erro em uso de fluido de corte

Você sabe o que determina a usinabilidade de um material? O fluido de corte atua sobre essa variável. A usinagem é o indicador da capacidade de um metal de ser cortado, torneado, furado, rosqueado ou fresado sem perder suas propriedades mecânicas características.

A usinabilidade pode ser definida como o conjunto de propriedades mensuráveis, tais como: composição química, operações anteriores efetuadas sobre o material, força de usinagem, temperatura de corte, vida útil da ferramenta ou máquina, encruamento. É aqui que entra o fluido de corte: ele serve para melhorar algumas dessas propriedades.

O fluido de corte é utilizado para facilitar a operação de corte e tem a propriedade de formar uma película entre a ferramenta de corte e a superfície do material que está sendo usinado. Na maioria dos casos, os fluidos de corte são aplicados diretamente na ferramenta e no material, propiciando uma redução no atrito e refrigeração da ferramenta.

Hoje em dia, existem fluidos de corte que se utilizados corretamente, não causam danos ao operador e ao meio ambiente. Por outro lado, seu uso incorreto pode acarretar problemas tanto na produção, quanto na segurança do trabalho.

Descubra agora, como evitar quatro erros de utilização do fluido de corte que podem ocasionar prejuízos no processo industrial.

1. Presença de contaminação por água ou partículas no fluido de corte

Sem dúvida, uma das maiores fontes de problemas de qualquer fluido integral industrial é a contaminação por água ou partículas. Ainda que existam os aditivos que ajudam a reduzir o impacto negativo, presença de água no fluido de corte pode causar oxidação nas superfícies metálicas. Outra fonte comum são as borras, as de colônias de bactérias. Além de maus odores, a formação de borra pode ocasionar manchas superficiais e entupimento nos filtros, reduzindo a vida útil do fluido. Isso é especialmente problemático no caso de emulsões e óleos.

Por fim, outra fonte de contaminação são as partículas sólidas, como poeira e restos de desgastes da máquina. Essa contaminação ocasiona prejuízos nas peças, por acelerar o processo de desgaste das superfícies metálicas e de degradação do fluido.

Para evitar esse tipo de contaminação, devem-se adotar boas práticas de manuseio dos fluidos quando estes forem usados. Isso inclui até mesmo os hábitos de higiene dos operadores. Análises de óleo e cuidados com o sistema de filtragem também ajudam a mitigar esse problema.

2. Manuseio inadequado e risco de incêndio

É muito importante conhecer as propriedades físico-químicas do fluido de corte que será utilizado. Uma das mais importantes é a combustibilidade, que indica a propensão a incêndio que determinado produto tem. Fluidos integrais, em especial, podem pegar fogo. Por isso, além de prestar atenção às recomendações de transporte que constam na ficha técnica do produto, você deve verificar a formulação do óleo e as condições de corte. Se for feito a quente, por exemplo, você pode estar se arriscando a ocasionar um incêndio em sua fábrica. Alguns metais são combustíveis, como o magnésio e titânio e podem entrar em ignição quando entram em contato com a água.

Siga as instruções da ficha técnica quanto ao transporte e conheça bem o processo de corte que será feito para evitar acidentes de trabalho e prejuízos financeiros ocasionados por paradas não programadas na produção.

3. Uso incorreto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)

Sabemos como podem ser difíceis as condições de trabalho no chão de fábrica. Seja pelo calor, pelo ruído ou mesmo pela poeira e gases originários do processo produtivo. Algumas vezes também é comum que a planta da fábrica torne o trabalho em seu interior difícil e arriscado. Apesar disso, são comuns os relatos de gestores de operação que têm dificuldades em convencer seus funcionários a usarem o EPI. Como resultado, o Brasil é um dos países com maiores prejuízos na indústria em função de acidentes de trabalho.

No caso do fluido de corte, o contato dos componentes das fórmulas com a pele, através de formação de névoa e vapores, ou até mesmo respingos, podem causar doenças de pele e também no sistema respiratório, tais como inflamações, dermatites, manchas e irritações. Alguns aditivos também podem causar câncer. As névoas e vapores se originam do contato do fluido de corte com superfícies quentes da peça, ferramenta ou cavaco. Além de poderem ser tóxicas, as névoas e vapores aumentam o risco de incêndio.

Para evitar todas essas consequências negativas é imprescindível o uso dos EPIs recomendados. Para conscientizar seus funcionários sobre a importância do uso desses equipamentos, a empresa pode promover eventos, como a Semana Interna de Prevenção de Acidente de Trabalho (SIPATs), além de workshops de atualização e fiscalização. De modo semelhante, deve-se enfatizar a importância de manter hábitos de higiene condizentes com o produto químico manuseado.

4. Contaminação de solo e água

Além da finalidade de melhorar as propriedades de usinagem de um metal, o fluido de corte é usado para outras finalidades após o término do processo de fabricação da peça. Por isso, é possível encontrar esses fluidos nas peças prontas e também no cavaco.

Nas peças usinadas, o fluido de corte tem função de retardar a corrosão. Em alguns casos, é necessária a remoção total do fluido de usinagem. Para isso, são usados solventes cuja composição dependerá da fórmula química do fluido de corte. De modo geral, essa limpeza é feita com soluções inorgânicas alcalinas e/ou solventes orgânicos. Já no caso do cavaco, a presença dessa substância indica que houve derramamento de fluido de corte durante a armazenagem e/ou transporte. Como consequência, em ambos os casos, pode haver a contaminação do solo e água.

Para evitar essa situação, é importante seguir as recomendações da legislação quanto ao transporte e descarte desses efluentes. Além disso, se houver um local de armazenagem dos cavacos, recomenda-se que os depósitos sejam cobertos e o piso impermeabilizado, para evitar a contaminação do ambiente como resultado do arraste ou percolação da água da chuva.

Assim, o fluido de corte melhora as propriedades de usinagem de um metal. Isto é, torna suas propriedades mecânicas mais adequadas à finalidade a que se destina. Nesse sentido, a escolha do material varia caso a caso, e essa decisão deve ser embasada no índice de usinagem. Este número tem relação com grandezas mensuráveis, como temperatura de corte e vida útil da peça final, por exemplo. Por ser tão importante, o fluido de corte deve ser utilizado com cuidado para evitar prejuízos.

Agora que você já conhece alguns cuidados necessários ao lidar com o fluido de corte, não deixe de conhecer algumas dicas de como escolher o tipo certo de óleo lubrificante industrial para suas máquinas!